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Coluna Resistência

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

A greve geral é o momento no qual o povo manda o recado mais abrangente para a classe dominante no contexto do Estado Democrático. A atual greve geral é absolutamente legítima  diante do Estado de Exceção instalado no Brasil com a derrubada de Dilma Russeff e cuja operacionalização através do Sistema Judiciário, do Congresso e do Poder Executivo tenta usurpar direitos adquiridos da população brasileira.
O topo da pirâmide da desigualdade onde está situado o rentismo e a parcela dos dois porcento mais ricos do país, querem ampliar ainda mais os seus lucros, penalizando os que estão na média da pirâmide e na sua base. Este verdadeiro massacre promovido pelo mercado do capital está recebendo uma resposta efetiva dentro da constitucionalidade, lutando contra um governo ilegitimo com a legítima arma da greve geral que existe em todas as constituições do mundo democrático. Certamente que, as absurdas reformas trabalhista e da previdência só serão um grande revés e no futuro todos os seus aspectos absurdos que porventura o congresso de palermos tenha ratificado, serão eliminados.
O próximo presidente da república terá que, entre outras obrigações, estabelecer o marco regulatório da mídia brasileira, determinar os limites da atividade jurídica e desfazer os malefícios que sob o manto de ajuste fiscal, estão sendo praticados contra o povo.
É dentro da democracia que a greve geral está golpeando o golpe.
O 1º de maio deverá ser uma continuidade desta grandiosa mobilização do povo brasileiro.

 
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Procusto versus Lula

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , ,


            O Estado de Exceção vigente no Brasil com a derrubada de Dilma Rousseff tem continuidade com o apoio obsceno da grande mídia, de um congresso de palermos políticos e, o mais incrível, a operacionalização de medidas antipovo conduzidas por parcela do judiciário.
            Trata-se de um verdadeiro massacre contra os trabalhadores, os servidores públicos, as universidades e a população de baixa renda para tornar o rentismo dos bancos e a riqueza dos ricos ainda mais lucrativa.
            O sistema midiático conseguiu transformar um simples juiz curitibano num verdadeiro Procusto, que juntamente com meia dúzia de rapazotes munidos do Vade Mecum do direito, combinados com policiais exibicionistas, promovem no país o que proclamam como purificação da vida sociopolítica!
            É absolutamente ridículo que a vida da nação esteja sendo agendada por este pequeno grupo de “salvadores da pátria”. Tais salvadores, sabemos, estão norteados quase sempre por fantasias nazifascistas e paranoicas. O gigante Procusto da mitologia desejava que todo viajante que passasse no seu desfiladeiro se submetesse ao teste de sua régua-cama e os que não coubessem por serem muito altos, tinham as pernas amputadas, enquanto os mais baixos eram esticados até a morte.  Quando alguém parecia caber no instrumento, ele dispunha de um segundo  para impedir que sua vítima escapasse.
            Assim, o estatuto chamado de delação premiada transformou-se na tortura mental procustiana, que sob o disfarce do combate à corrupção, quebra a economia nacional e pretende atingir diretamente personagens importantes da esquerda para impedir a continuidade de um projeto político popular. Além disso, é legítimo suspeitar que a maioria dessas delações não merece o menor crédito.
Não há dúvida de que a imparcialidade e a neutralidade que devem orientar o judiciário foram abaladas nesta dificílima fase da vida política nacional. Escrevi no artigo A desmedida das dez medidas o seguinte:  “O fato é que para o observador intelectual, a balança de Têmis sumiu para dar lugar à régua de Procusto, pois quem não couber na sua medida será fatalmente punido”. 
Weber afirma que o mercado capitalista constrói jaulas de ferro dentro da sua racionalidade burocrática, mas no Brasil, aparentemente, existe uma jaula instalada em Curitiba e nela, Procusto pretende prender o maior símbolo e mito da luta do povo brasileiro contra o patrimonialismo de uma minoria ultra privilegiada, principalmente na FIESP.

Essa situação precisa ser denunciada, pois a engrenagem montada para atender a interesses dentro e fora do país, de bancos e ultra milionários é suportada pelo aparelho da grande imprensa com núcleo principal na Globo. Não é possível que o Direito brasileiro esteja resumido à lei vesga da espetaculosa operação lava jato. Isso significa colocar o Direito de cabeça para baixo, pois não é a lei de juízes e procuradores que faz o povo, mas é exatamente o inverso, é o povo que através de representantes legitimados pelo voto faz a Constituição e a Norma Geral, ou seja, o Direito.

Artigo publicado no jornal O Povo em 15/04/2017
http://www.opovo.com.br/jornal/dom/2017/04/valton-de-miranda-leitao-procusto-versus-lula.html
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Valton de Miranda Leitão. "A desmedida das dez medidas"

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

Ninguém que não seja idiota poderia ser contra o combate à corrupção no mundo e no Brasil. A guerra à corrupção tornou-se em nosso país o disfarce mais absurdo para manter a fórmula de Lampedusa, “mudar tudo para não mudar nada”, o que significa que os ricos continuarão cada vez mais ricos e os pobres, mais pobres.
A corrupção grassará no lugar certo, entre sonegadores e fraudadores da Fiesp e dos grandes bancos com a benevolente cobertura do Poder Judiciário, todos irmanados com a obscena grande imprensa nacional. Como é visível, um Judiciário totalmente avassalado por sucessivas degradações da combinação Direito, Lei e Justiça, tanto no Supremo quanto no seu braço curitibano que se atribuem poderes inquisitoriais, comportando inclusive a presença do grande inquisidor.
As Moiras da mitologia grega, as irmãs fatais filhas de Moros e Anánkê ingressaram de modo muito visível no sistema jurídico-político. O Moros mitológico e sua mulher Anánkê representam a inevitabilidade cega e não pensante, enquanto suas filhas Moiras tecem, cosem e cortam vidas ao seu bel-prazer. Isso é o avesso da civilização, na qual Direito, Lei e Justiça buscam aproximação.
O seguinte trecho de artigo de Marcos Coimbra diz bem da absurdez brasileira: “Não há sintoma maior da falência das velhas elites brasileiras do que estarem completamente nas mãos de meia dúzia de juízes, promotores e delegados que parecem ignorar o bê-á-bá do direito. Depois de se verem como os mestres do universo, que tudo podiam e faziam, triste o ponto a que chegaram. Mas existe um Brasil maior, de gente menos parcial, mais capaz de respeitar a democracia e menos manipulável, assim como existem sentimentos civilizados na comunidade internacional”.
Além da colossal maluquice que coloca o Judiciário como operador de um ataque à democracia, dão suporte ao Estado de Exceção que na prática é uma ditadura comissionada. O mais incrível e pasmoso ainda é a apresentação ao Congresso Nacional, pela espetaculosa monarquia de juízes curitibanos, de um desmesurado documento denominado Dez medidas contra a corrupção.
Se Freud e discípulos como Lacan e Bion estivessem vivos, diriam tratar-se de uma tolice infantojuvenil ou arrebatamento de alucinose paranoica. O fato é que, para o observador intelectual, a balança de Têmis sumiu para ceder lugar à régua de Procusto, pois quem não couber na sua medida será fatalmente punido.
O notável escritor brasileiro Raduan Nassar denunciou a arquitetura golpista ao receber o mais alto prêmio da literatura luso-brasileira “A Comenda Camões”, mostrando o tamanho da inversão ética e política, na qual o mercado-lucro mergulhou a população. 

Certamente que a linguagem do ódio não inclui todos os magistrados do País, pois muitos já perceberam o desmantelo. O mundo intelectual não pode ficar passivo diante da situação em que o Direito ataca a Democracia, enquanto a Lei é instrumentalizada para atingir objetivos políticos arquitetados no plano nacional e internacional. A Hybris arrogante é incompatível com a Aleteia da verdade!

Artigo publicado no Jornal O Povo em 18/03/2017
http://www.opovo.com.br/jornal/dom/2017/03/valton-de-miranda-leitao-a-desmedida-das-dez-medidas.html
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AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: ,

Política - Opinião
Levar 2018 para o tapetão é a última carta da coalizão que derrubou Dilma
por Marcos Coimbra — publicado 09/02/2017 00h15, última modificação 08/02/2017 12h12
Em meio à falência das elites, pretende-se tirar Lula da corrida presidencial. Mas somente o povo pode julgá-lo
Em janeiro de 2016, a coalizão que derrubou Dilma Rousseff tinha uma certeza e muitas esperanças. A primeira era de que os dias do governo petista estavam contados. Estavam mesmo.
Já em relação ao que esperavam do futuro, não foi igual. Tudo deu errado. Um ano depois, não se confirmou nenhuma das expectativas daquele conglomerado de interesses empresariais, oligopólios de comunicação, partidos antipetistas e setores do aparelho estatal.
Ela caiu, mas o cenário complicou-se para essas forças. Hoje, nada garante que conseguirão consolidar a vitória que obtiveram quando a tiraram da Presidência e assumiram as rédeas do Estado.
O problema é o tempo. De que adianta governar por alguns meses, sem um horizonte razoável de continuidade? Fora os negocinhos (e os negociões) que geram frutos imediatos, nada que realmente vale a pena traz retorno no curtíssimo prazo.
De que serve, por exemplo, uma mudança constitucional se seu futuro é incerto, se um novo governo pode revertê-la tão logo eleito, legitimado pelos milhões de votos recém-conquistados? Que serventia tem uma reforma como essa da Previdência, burra e cruel para com os mais frágeis, sujeita a ser cancelada logo após a promulgação?

Lula
 Procuram impedir a candidatura de Lula na próxima eleição com acusações baseadas em “convicções”

Os vitoriosos de 2016 achavam que a história se repetiria e que Michel Temer seria um novo Itamar Franco. Que, apesar da insignificância, Temer poderia produzir um “novo fenômeno”, uma reencarnação de Fernando Henrique Cardoso, prontinho para salvar o primitivo capitalismo brasileiro, livrando-o dos perigos do “lulopetismo”.
O que tivemos, no entanto, foi a confirmação da velha regra, de que, na segunda vez, um episódio histórico se torna farsa. Temer é pior do que Itamar em qualquer quesito, a começar pela honorabilidade.
Henrique Meirelles, o candidato a novo FHC, que, no Ministério da Fazenda, assinaria uma espécie de novo Plano Real, foi um devaneio de banqueiros que não durou um mês. Seu programa econômico não funciona, é rejeitado pelo País e é mal recebido até pelo Fundo Monetário Internacional. 
Deu também errado a aposta na morte da liderança de Lula e no fim do PT. Estavam convencidos de que nenhum dos dois resistiria aos ataques diários que sofrem na mídia conservadora, mas todas as pesquisas mostram que as intenções de voto em Lula crescem, enquanto afunda a avaliação do governo.    
Frustrou-se a suposição de que a opinião pública aplaudiria a troca de Dilma por Temer. Achavam que a insatisfação era tamanha que a derrubada da petista desanuviaria os espíritos e aliviaria as tensões acumuladas durante os longos meses de crise política. Chegaram a acreditar em “manifestações de massa” a favor de Temer e repúdio ao PT. Não houve nenhuma. 

Temer
Frustrou-se a suposição de que a opinião pública aplaudiria a troca de Dilma por Temer (Foto: Anderson Riedel)

Ainda no correr deste ano, entraremos na campanha aberta para as eleições presidenciais de 2018. Os vitoriosos no golpe de 2016, que supunham que, a esta altura, teriam boas cartas na mão, estão com um jogo micado. Seus candidatos iam mal e pioraram.  
Queriam um Itamar e têm, no máximo, o José Sarney do quinto ano, com o mesmo formalismo vazio, a mesma falta de respaldo popular, a mesma incompetência e inoperância. Idênticos na dúvida que provocam de se vale a pena mexer nas instituições para terminar perambulando pelos corredores do Palácio do Planalto. Proibidos de enunciar o nome de seus candidatos na eleição seguinte, para não terminar de inviabilizá-los.    
Resta-lhes uma única carta, que não é boa, e nela depositam suas esperanças de permanecer no poder por mais tempo: tentar levar o jogo para o tapetão, fugindo do campo da disputa democrática. Como não conseguem derrotá-lo, perseguem Lula e procuram impedir sua candidatura na próxima eleição. Com julgamentos enviesados, acusações baseadas em “convicções” e fanfarronices de delegados. 
Não há sintoma maior da falência das velhas elites brasileiras do que estarem completamente nas mãos de meia dúzia de juízes, promotores e delegados que parecem ignorar o bê-á-bá do direito. Depois de se verem como os mestres do universo, que tudo podiam e faziam, triste o ponto a que chegaram. 
Mas existe um Brasil maior, de gente menos parcial, mais capaz de respeitar a democracia e menos manipulável, assim como existem sentimentos civilizados na comunidade internacional. Juntas, essas forças precisam agir. 
Quem tem de julgar Lula é o povo, plenamente capaz de fazê-lo.

Arquivo disponível no site https://www.cartacapital.com.br/revista/938/levar-2018-para-o-tapetao-e-a-ultima-carta-da-coalizao-que-derrubou-dilma
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Drummond - José

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: ,

    Tanto
     
     
     
      JOSÉ
                  E agora, José?
              A festa acabou,
              a luz apagou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, José?
              e agora, você?
              você que é sem nome,
              que zomba dos outros,
              você que faz versos,
              que ama, protesta?
              e agora, José?
              Está sem mulher,
              está sem discurso,
              está sem carinho,
              já não pode beber,
              já não pode fumar,
              cuspir já não pode,
              a noite esfriou,
              o dia não veio,
              o bonde não veio,
              o riso não veio
              não veio a utopia
              e tudo acabou
              e tudo fugiu
              e tudo mofou,
              e agora, José?
              E agora, José?
              Sua doce palavra,
              seu instante de febre,
              sua gula e jejum,
              sua biblioteca,
              sua lavra de ouro,
              seu terno de vidro,
              sua incoerência,
              seu ódio - e agora?
              Com a chave na mão
              quer abrir a porta,
              não existe porta;
              quer morrer no mar,
              mas o mar secou;
              quer ir para Minas,
              Minas não há mais.
              José, e agora?
              Se você gritasse,
              se você gemesse,
              se você tocasse
              a valsa vienense,
              se você dormisse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, José!
              Sozinho no escuro
              qual bicho-do-mato,
              sem teogonia,
              sem parede nua
              para se encostar,
              sem cavalo preto
              que fuja a galope,
              você marcha, José!
              José, para onde?
     
     Ps. José junte todas as panelas e tente, tente, tente, fazer as desarmonias de um concerto de Schönberg.

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Blog Valton Miranda em breve será pensandoserio.com.br

AuthorAutor: Valton Miranda   





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MÉDICOS MATADORES E JUÍZES JUSTICEIROS OU O ASSASSINATO DE MARISA LETÍCIA

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores:



É absurdo pensar que a medicina e os médicos possam ser causa de morte no mundo e no Brasil, como é igualmente extravagante imaginar que o Direito possa ser utilizado para práticas abusivas contra a lei, perpetradas por juristas em geral. Infelizmente isso acontece nos E.U.A, quando um paranoico eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, impede a entrada no seu país, de pessoas cujo único pecado é professarem a fé muçulmana, e no Brasil médicos e promotores de justiça têm o despudor de comandar chacinas midiáticas contra a ex-primeira dama, Marisa Letícia, cujo único pecado foi ser operária e esposa do gênio político que governou o Brasil para o seu povo, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao lado da grosseira concentração de renda no mundo e no país que um dia foi chamado de cordial, o mal avança sob a forma de ódio contra negros, pobres, homossexuais ou intelectuais que não comunguem com os ideais patrimonialistas e escravocratas dos odiadores.
É evidente que o golpe de Estado praticado pelo congresso e judiciário com a inestimável ajuda da obscena imprensa brasileira, estimulou essa divisão sociocultural que grassa no país. Médicos, juízes e procuradores que se manifestam através das redes sociais, fazendo a apologia da morte de Marisa Letícia, são apenas manifestações sintomáticas desse tipo de loucura paranoica.
Sob o disfarce de combate a corrupção, instalou-se um projeto político que tem na chamada lava-jato, o centro de irradiação do judiciário de cabeça para baixo, ou seja, no qual se manipulam os critérios de verdade e mentira, praticando uma ética de ponta-cabeça.
Utilizando a compreensão psicanalítica do inconsciente individual e coletivo, Marisa Letícia, foi assassinada por este verdadeiro carnaval de delações, nas quais não se sabe exatamente como o delator delata o que afirma, pois tudo indica que, sob coação ou tortura mental, dizem o que o juiz-policial pretende. Neste contexto Marisa Letícia foi julgada, condenada e executada, como num bárbaro ritual vodu.
O conceito de purificação dos paranoicos que em termos políticos pode ser traduzido como “combate a corrupção” foi sempre um dos mais perigosos instrumentos do nazifascismo. Não tenho a menor dúvida de que o Principado de Curitiba operacionaliza uma ampla marcha golpista contra o povo brasileiro. Nesse sentido o seu objetivo maior é matar ou anular, o símbolo mito da grande massa de trabalhadores do campo e da cidade: Lula. Nessa perspectiva penso que a morte de Marisa Letícia, deve ser imputada ao conjunto de pessoas integradas na operação golpista.


Ps. Remeto o leitor para o meu artigo “O Espetaculoso Principado de Curitiba” que consta do meu blog, no link http://www.valtonmiranda.com.br/2016/10/o-espetaculoso-principado-de-curitiba.html
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MARISA LETÍCIA É LULA

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , ,



Creio que Marisa Letícia é a única mulher operária que se tornou primeira-dama nesse país de cultura patrimonialista e consciência social escravocrata. A eleição do seu marido Luiz Inácio Lula da Silva, um torneiro mecânico e gênio político consagrado no mundo inteiro, nunca foi tolerada por esta cultura da imbecilidade rancorosa e odienta contra negros, pobres e mulheres, principalmente aquelas que não se vestem com roupas de grife.
A sociocultura nazifascista que toma conta do país despreza a população que fica abaixo da linha mediana da classe média, tentando afirmar uma suposta e mentirosa superioridade moral e cognitiva, que segundo sua visão míope, o dinheiro de pluto dá origem pela mágica do contato com o ouro. Tais idiotas úteis à ditadura jurídico-congressual que se instalou no Brasil vão à porta dos hospitais hostilizar qualquer líder de esquerda doente ou moribundo, com cartazes que aconselham procurar a medicina cubana ou atendimento no SUS.
É essa gente de consciência trumpiana que sempre teve os olhos voltados para Miami ou Orlando, que faz plantão na porta do hospital Sírio Libanês, onde Marisa Letícia está internada em coma induzido, para praticar o seu culto ao ódio.
É esse processo anticivilizatório que se espalha pelo mundo como lava fumegante da bestialidade humana. O problema dessas pessoas tem um viés político fundamental, pois nunca aceitaram um pobre e vitorioso presidente da república nordestino, que se candidato em 2018, certamente ganhará a eleição para gáudio do pensamento socialista e profunda tristeza destes hipócritas da moral.
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Diretora do FMI diz que prioridade deve ser combater desigualdade

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

Redação

Revista Fórum, 
“Não sei por que as pessoas não escutaram a mensagem (de que a desigualdade é nociva)", questionou a francesa / Reprodução
Após ouvir o ministro da Fazenda brasileiro, Henrique Meirelles, defender a necessidade de adotar reformas, como o governo Michel Temer tem feito no país, a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou nesta quarta-feira (18) que a prioridade das políticas econômicas precisa ser o combate à desigualdade social.
O comentário de Lagarde ocorreu durante a participação de ambos em um painel do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.
Questionado pela moderadora sobre como convencer a classe trabalhadora a aceitar reformas que exigirão dela “grandes sacrifícios”, Meirelles havia dito que o Brasil, diferentemente dos países ricos, não tem a tradição de uma classe média sólida, o que tornaria necessário o pacote de medidas – que inclui a instituição de teto para os gastos públicos, afetando áreas como saúde e educação.
“Nos países em desenvolvimento temos uma dinâmica diferente, não temos uma história de classe média crescente ou grande parte da população sendo classe média, como é nos países desenvolvidos. Isso é um fenômeno recente no Brasil”, afirmou o ministro.
“Nos últimos quinze anos, vimos a proporção da classe média na população dobrar. E isso aconteceu ao longo da última década. Por causa da recessão que vimos nos últimos anos, essa dinâmica se inverteu, mas isso é um problema de curto prazo”, disse Meirelles.
Lagarde respondeu na sequência.
“Não sei por que as pessoas não escutaram a mensagem (de que a desigualdade é nociva), mas certamente os economistas se revoltaram e disseram que não era problema deles. Inclusive na minha própria instituição, que agora se converteu para aceitar a importância da desigualdade social e a necessidade de estudá-la e promover políticas em resposta a ela”, afirmou a francesa, para quem a prioridade das políticas econômicas deve ser combate à desigualdade.
Desigualdade no foco
Meirelles também havia argumentado que os problemas brasileiros são recentes.
“Isso se deve à recessão dos últimos anos e está afetando a classe média e, em particular, a de baixa renda. Em resumo, a saída para uma economia como a brasileira é voltar a crescer de novo, criando empregos novamente e se modernizando abrindo o mercado de forma a se tornar mais eficiente”, afirmou.
“Estamos em um outro momento do que as economias ricas. Estamos estabelecendo a classe média, fazendo ela crescer com a abertura da economia”, defendeu.
Em sua fala, porém sem citar o Brasil, Lagarde destacou que a desigualdade social precisa estar no centro das atenções dos economistas se eles quiserem um crescimento sustentável e, como consequência, uma classe média forte.
“Nosso argumento é de que, se há excesso de desigualdade, isso é contraproducente para o crescimento sustentável ao qual os membros do G-20 aspiram”, disse.
“Se quisermos um pedaço maior de torta, precisamos ter uma torta maior para todos, e essa torta precisa ser sustentável. O excesso de desigualdade está colocando travas nesse desenvolvimento sustentável”, afirmou, retomando a mensagem central do discurso de abertura que fez no Fórum de 2013.
Desemprego e Quarta Revolução Industrial
Um estudo do próprio FMI de 2013, assinado pelos especialistas Jaejoon Woo, Elva Bova, Tidiane Kinda e Y. Sophia Zhang, aponta que políticas de controle de gastos públicos resultam na geração de desemprego a curto prazo, o que contribui para a contração da classe média e o aumento do fosso social entre ricos e pobres.
O estudo mostra que pacotes de ajustes fiscais como o adotado pelo Brasil podem ter resultados adversos, dependendo das estratégias escolhidas na gestão pública.
“Pacotes de cortes nos gastos públicos tendem a piorar mais significativamente a desigualdade social, do que pacotes de aumentos de impostos”, afirma o levantamento.
O documento de 2013 revisou políticas de ajuste fiscal executadas durante os últimos 30 anos por países desenvolvidos e em desenvolvimento.
A conclusão foi de que o primeiro reflexo de cortes nos gastos públicos é um aumento do desemprego e consequente aumento da desigualdade social, indicador medido pelo índice Gini – um coeficiente Gini 0 representa a plena igualdade, enquanto que 1 é o máximo de desigualdade.
Na média, um corte nos gastos da ordem de 1% do PIB gera aumento de 0.19 ponto percentual no nível de desemprego durante o primeiro ano, enquanto o aumento da desigualdade no índice Gini oscila de 0,4% a 0,7% nos dois primeiros anos, afirma o estudo.
Em termos amplos, é o desemprego gerado pelo corte nos gastos o grande vilão.
“De forma aproximada, cerca de 15% a 20% do aumento de desigualdade social por conta de pacotes fiscais ocorrem por causa do aumento de desemprego”, diz o relatório.
Políticas públicas
No debate em Davos, Lagarde recomendou a escolha cautelosa de políticas públicas no contexto da quarta revolução industrial, de modo que governos como o do Brasil não olhem apenas para os desafios imediatos da globalização, mas se preparem para o futuro de longo prazo.
“Estamos agora em um momento muito oportuno para colocar em prática as políticas que sabemos que irão funcionar (…) Um momento de crise, como o ministro (Meirelles) disse, é o momento de avaliarmos as políticas que estão em ação, o que mais podemos fazer, que tipo de medidas tomamos para reduzir a desigualdade social?”, questionou a diretora-geral do FMI.
“Qual tipo de redes de apoio social temos para as pessoas? Qual o tipo de educação e treinamento que oferecemos? O que temos em ação para responder não apenas à globalização, mas às tecnologias que irão descontinuar e transformar o ambiente de trabalho no longo prazo?”, acrescentou.
“Há coisas que podem ser feitas: reformas fiscais, reformas estruturais e políticas monetárias. Mas elas precisam ser graduais, regionais, focadas em resultados para as pessoas e isso provavelmente significa buscar uma maior distribuição de renda do que há no momento”, reforçou Lagarde.
À BBC Brasil o professor e ex-ministro do Planejamento e do Trabalho Paulo Paiva afirmou que a produtividade é o grande desafio que o Brasil tem pela frente para a retomada do crescimento e, a julgar pela história recente, os ventos demográficos não estão a favor do país.
“O crescimento econômico é composto de crescimento da força de trabalho e da produtividade. Tivemos dois períodos distintos na nossa história recente: de 1950 a 1980 e de 1980 até hoje”, introduziu.
“De 1950 a 1980 a economia brasileira cresceu a uma taxa média de 7% ao ano. Se eu decompor esse número em crescimento da força de trabalho e ganho de produtividade, houve um aumento de 2,8% do PIB por causa da população e 4,2% de ganho de produtividade, que inclui melhor qualificação do trabalhador e ambiente de trabalho.”
“De 1980 pra cá, decompondo o crescimento da mesma forma, 0,9% se de deu pelo aumento da população e 1,5% pelo ganho de produtividade. Então isso dá 2,4% de crescimento médio anual do PIB”, acrescentou.
“O problema é que a partir de 2015-30 a população não vai mais crescer, então se o Brasil não fizer nada (para aumentar o ganho de produtividade) está fadado a um crescimento de 1,5% ao ano. Essa é a visão mais dramática que temos pela frente e você pode imaginar o impacto dessa quarta revolução industrial numa situação dessa.”
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