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Blog Valton Miranda em breve será pensandoserio.com.br

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MÉDICOS MATADORES E JUÍZES JUSTICEIROS OU O ASSASSINATO DE MARISA LETÍCIA

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É absurdo pensar que a medicina e os médicos possam ser causa de morte no mundo e no Brasil, como é igualmente extravagante imaginar que o Direito possa ser utilizado para práticas abusivas contra a lei, perpetradas por juristas em geral. Infelizmente isso acontece nos E.U.A, quando um paranoico eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, impede a entrada no seu país, de pessoas cujo único pecado é professarem a fé muçulmana, e no Brasil médicos e promotores de justiça têm o despudor de comandar chacinas midiáticas contra a ex-primeira dama, Marisa Letícia, cujo único pecado foi ser operária e esposa do gênio político que governou o Brasil para o seu povo, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao lado da grosseira concentração de renda no mundo e no país que um dia foi chamado de cordial, o mal avança sob a forma de ódio contra negros, pobres, homossexuais ou intelectuais que não comunguem com os ideais patrimonialistas e escravocratas dos odiadores.
É evidente que o golpe de Estado praticado pelo congresso e judiciário com a inestimável ajuda da obscena imprensa brasileira, estimulou essa divisão sociocultural que grassa no país. Médicos, juízes e procuradores que se manifestam através das redes sociais, fazendo a apologia da morte de Marisa Letícia, são apenas manifestações sintomáticas desse tipo de loucura paranoica.
Sob o disfarce de combate a corrupção, instalou-se um projeto político que tem na chamada lava-jato, o centro de irradiação do judiciário de cabeça para baixo, ou seja, no qual se manipulam os critérios de verdade e mentira, praticando uma ética de ponta-cabeça.
Utilizando a compreensão psicanalítica do inconsciente individual e coletivo, Marisa Letícia, foi assassinada por este verdadeiro carnaval de delações, nas quais não se sabe exatamente como o delator delata o que afirma, pois tudo indica que, sob coação ou tortura mental, dizem o que o juiz-policial pretende. Neste contexto Marisa Letícia foi julgada, condenada e executada, como num bárbaro ritual vodu.
O conceito de purificação dos paranoicos que em termos políticos pode ser traduzido como “combate a corrupção” foi sempre um dos mais perigosos instrumentos do nazifascismo. Não tenho a menor dúvida de que o Principado de Curitiba operacionaliza uma ampla marcha golpista contra o povo brasileiro. Nesse sentido o seu objetivo maior é matar ou anular, o símbolo mito da grande massa de trabalhadores do campo e da cidade: Lula. Nessa perspectiva penso que a morte de Marisa Letícia, deve ser imputada ao conjunto de pessoas integradas na operação golpista.


Ps. Remeto o leitor para o meu artigo “O Espetaculoso Principado de Curitiba” que consta do meu blog, no link http://www.valtonmiranda.com.br/2016/10/o-espetaculoso-principado-de-curitiba.html
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MARISA LETÍCIA É LULA

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , ,



Creio que Marisa Letícia é a única mulher operária que se tornou primeira-dama nesse país de cultura patrimonialista e consciência social escravocrata. A eleição do seu marido Luiz Inácio Lula da Silva, um torneiro mecânico e gênio político consagrado no mundo inteiro, nunca foi tolerada por esta cultura da imbecilidade rancorosa e odienta contra negros, pobres e mulheres, principalmente aquelas que não se vestem com roupas de grife.
A sociocultura nazifascista que toma conta do país despreza a população que fica abaixo da linha mediana da classe média, tentando afirmar uma suposta e mentirosa superioridade moral e cognitiva, que segundo sua visão míope, o dinheiro de pluto dá origem pela mágica do contato com o ouro. Tais idiotas úteis à ditadura jurídico-congressual que se instalou no Brasil vão à porta dos hospitais hostilizar qualquer líder de esquerda doente ou moribundo, com cartazes que aconselham procurar a medicina cubana ou atendimento no SUS.
É essa gente de consciência trumpiana que sempre teve os olhos voltados para Miami ou Orlando, que faz plantão na porta do hospital Sírio Libanês, onde Marisa Letícia está internada em coma induzido, para praticar o seu culto ao ódio.
É esse processo anticivilizatório que se espalha pelo mundo como lava fumegante da bestialidade humana. O problema dessas pessoas tem um viés político fundamental, pois nunca aceitaram um pobre e vitorioso presidente da república nordestino, que se candidato em 2018, certamente ganhará a eleição para gáudio do pensamento socialista e profunda tristeza destes hipócritas da moral.
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Diretora do FMI diz que prioridade deve ser combater desigualdade

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , ,

Redação

Revista Fórum, 
“Não sei por que as pessoas não escutaram a mensagem (de que a desigualdade é nociva)", questionou a francesa / Reprodução
Após ouvir o ministro da Fazenda brasileiro, Henrique Meirelles, defender a necessidade de adotar reformas, como o governo Michel Temer tem feito no país, a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou nesta quarta-feira (18) que a prioridade das políticas econômicas precisa ser o combate à desigualdade social.
O comentário de Lagarde ocorreu durante a participação de ambos em um painel do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.
Questionado pela moderadora sobre como convencer a classe trabalhadora a aceitar reformas que exigirão dela “grandes sacrifícios”, Meirelles havia dito que o Brasil, diferentemente dos países ricos, não tem a tradição de uma classe média sólida, o que tornaria necessário o pacote de medidas – que inclui a instituição de teto para os gastos públicos, afetando áreas como saúde e educação.
“Nos países em desenvolvimento temos uma dinâmica diferente, não temos uma história de classe média crescente ou grande parte da população sendo classe média, como é nos países desenvolvidos. Isso é um fenômeno recente no Brasil”, afirmou o ministro.
“Nos últimos quinze anos, vimos a proporção da classe média na população dobrar. E isso aconteceu ao longo da última década. Por causa da recessão que vimos nos últimos anos, essa dinâmica se inverteu, mas isso é um problema de curto prazo”, disse Meirelles.
Lagarde respondeu na sequência.
“Não sei por que as pessoas não escutaram a mensagem (de que a desigualdade é nociva), mas certamente os economistas se revoltaram e disseram que não era problema deles. Inclusive na minha própria instituição, que agora se converteu para aceitar a importância da desigualdade social e a necessidade de estudá-la e promover políticas em resposta a ela”, afirmou a francesa, para quem a prioridade das políticas econômicas deve ser combate à desigualdade.
Desigualdade no foco
Meirelles também havia argumentado que os problemas brasileiros são recentes.
“Isso se deve à recessão dos últimos anos e está afetando a classe média e, em particular, a de baixa renda. Em resumo, a saída para uma economia como a brasileira é voltar a crescer de novo, criando empregos novamente e se modernizando abrindo o mercado de forma a se tornar mais eficiente”, afirmou.
“Estamos em um outro momento do que as economias ricas. Estamos estabelecendo a classe média, fazendo ela crescer com a abertura da economia”, defendeu.
Em sua fala, porém sem citar o Brasil, Lagarde destacou que a desigualdade social precisa estar no centro das atenções dos economistas se eles quiserem um crescimento sustentável e, como consequência, uma classe média forte.
“Nosso argumento é de que, se há excesso de desigualdade, isso é contraproducente para o crescimento sustentável ao qual os membros do G-20 aspiram”, disse.
“Se quisermos um pedaço maior de torta, precisamos ter uma torta maior para todos, e essa torta precisa ser sustentável. O excesso de desigualdade está colocando travas nesse desenvolvimento sustentável”, afirmou, retomando a mensagem central do discurso de abertura que fez no Fórum de 2013.
Desemprego e Quarta Revolução Industrial
Um estudo do próprio FMI de 2013, assinado pelos especialistas Jaejoon Woo, Elva Bova, Tidiane Kinda e Y. Sophia Zhang, aponta que políticas de controle de gastos públicos resultam na geração de desemprego a curto prazo, o que contribui para a contração da classe média e o aumento do fosso social entre ricos e pobres.
O estudo mostra que pacotes de ajustes fiscais como o adotado pelo Brasil podem ter resultados adversos, dependendo das estratégias escolhidas na gestão pública.
“Pacotes de cortes nos gastos públicos tendem a piorar mais significativamente a desigualdade social, do que pacotes de aumentos de impostos”, afirma o levantamento.
O documento de 2013 revisou políticas de ajuste fiscal executadas durante os últimos 30 anos por países desenvolvidos e em desenvolvimento.
A conclusão foi de que o primeiro reflexo de cortes nos gastos públicos é um aumento do desemprego e consequente aumento da desigualdade social, indicador medido pelo índice Gini – um coeficiente Gini 0 representa a plena igualdade, enquanto que 1 é o máximo de desigualdade.
Na média, um corte nos gastos da ordem de 1% do PIB gera aumento de 0.19 ponto percentual no nível de desemprego durante o primeiro ano, enquanto o aumento da desigualdade no índice Gini oscila de 0,4% a 0,7% nos dois primeiros anos, afirma o estudo.
Em termos amplos, é o desemprego gerado pelo corte nos gastos o grande vilão.
“De forma aproximada, cerca de 15% a 20% do aumento de desigualdade social por conta de pacotes fiscais ocorrem por causa do aumento de desemprego”, diz o relatório.
Políticas públicas
No debate em Davos, Lagarde recomendou a escolha cautelosa de políticas públicas no contexto da quarta revolução industrial, de modo que governos como o do Brasil não olhem apenas para os desafios imediatos da globalização, mas se preparem para o futuro de longo prazo.
“Estamos agora em um momento muito oportuno para colocar em prática as políticas que sabemos que irão funcionar (…) Um momento de crise, como o ministro (Meirelles) disse, é o momento de avaliarmos as políticas que estão em ação, o que mais podemos fazer, que tipo de medidas tomamos para reduzir a desigualdade social?”, questionou a diretora-geral do FMI.
“Qual tipo de redes de apoio social temos para as pessoas? Qual o tipo de educação e treinamento que oferecemos? O que temos em ação para responder não apenas à globalização, mas às tecnologias que irão descontinuar e transformar o ambiente de trabalho no longo prazo?”, acrescentou.
“Há coisas que podem ser feitas: reformas fiscais, reformas estruturais e políticas monetárias. Mas elas precisam ser graduais, regionais, focadas em resultados para as pessoas e isso provavelmente significa buscar uma maior distribuição de renda do que há no momento”, reforçou Lagarde.
À BBC Brasil o professor e ex-ministro do Planejamento e do Trabalho Paulo Paiva afirmou que a produtividade é o grande desafio que o Brasil tem pela frente para a retomada do crescimento e, a julgar pela história recente, os ventos demográficos não estão a favor do país.
“O crescimento econômico é composto de crescimento da força de trabalho e da produtividade. Tivemos dois períodos distintos na nossa história recente: de 1950 a 1980 e de 1980 até hoje”, introduziu.
“De 1950 a 1980 a economia brasileira cresceu a uma taxa média de 7% ao ano. Se eu decompor esse número em crescimento da força de trabalho e ganho de produtividade, houve um aumento de 2,8% do PIB por causa da população e 4,2% de ganho de produtividade, que inclui melhor qualificação do trabalhador e ambiente de trabalho.”
“De 1980 pra cá, decompondo o crescimento da mesma forma, 0,9% se de deu pelo aumento da população e 1,5% pelo ganho de produtividade. Então isso dá 2,4% de crescimento médio anual do PIB”, acrescentou.
“O problema é que a partir de 2015-30 a população não vai mais crescer, então se o Brasil não fizer nada (para aumentar o ganho de produtividade) está fadado a um crescimento de 1,5% ao ano. Essa é a visão mais dramática que temos pela frente e você pode imaginar o impacto dessa quarta revolução industrial numa situação dessa.”
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Leia a íntegra da carta de deputados dos EUA sobre ações “tendenciosas" de Moro

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , ,

Congressistas estadunidenses denunciam medidas do juiz brasileiro contra Lula e repressão a movimentos populares

Brasil de Fato | São Paulo (SP), 
Na carta, os parlamentares afirmam que “Moro nem sequer fingiu imparcialidade” nas denúncias contra Lula / Agência Brasil
Um grupo de parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos entregou, na quarta-feira (18), uma carta ao embaixador brasileiro no país, Sergio Silva do Amaral, criticando a conduta do juiz Sérgio Moro na condução das investigações que envolvem o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Os dozes deputados classificaram as ações do juiz como “tendenciosas e injustificadas”, tendo comprometido “gravemente os direitos legais de Lula”. 
Os escândalos de corrupção envolvendo políticos que articularam o impeachment, bem como os atuais no governo não eleito de Michel Temer – que levaram à renúncia de quatro ministros nos últimos meses - também são lembrados no documento. As críticas dos deputados também são dirigidas ao cenário de criminalização dos movimentos populares e de violação ao direito de manifestação; o MST é citado no documento como sendo um dos alvos de “duras repressões".
Entre os que assinam a carta, estão nomes de peso da Câmara de Representantes do país, entre eles, quatro deputados democratas com maior influência política no Comitê Judiciário da Câmara, como John Conyers. Além de Steve Cohen, Zoe Lofgren e Sheila Jackson Lee. Líderes progressistas do Congresso também assinam o documento, como Raul Grijalva, Mark Pocan, Barbara Lee e Keith Ellison – sendo este último candidato à direção do Comitê Nacional do Partido Democrata e apoiado pelo ex-candidato à Presidência dos EUA Bernie Sanders. São ainda signatários: Lucille Roybal-Allard, Eleanor Holmes Norton, Emanuel Cleaver e Frank Pallone Jr.
Confira a íntegra da carta: 
Estimado Embaixador Amaral:
Escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com o estado atual da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Como observamos durante o processo de remoção da presidenta Dilma Rousseff, aqueles que dirigiram esse processo minaram as instituições democráticas do Brasil a fim de promover seus próprios interesses políticos e econômicos às custas da proteção da democracia ou dos interesses nacionais. No período transcorrido desde então, ficou demonstrado que eles agiram para proteger figuras políticas corruptas, para impor uma série de políticas que nunca seriam apoiadas em eleições nacionais e para assediar seus adversários em movimentos sociais e partidos políticos opostos. Essas revelações aumentaram fortemente a polarização em uma sociedade já dividida e levantaram sérias dúvidas sobre a capacidade da liderança atual para mudar o curso da atual crise econômica, política e social.
A recente repressão contra manifestantes pacíficos e movimentos sociais, e as violações dos direitos e do devido processo legal do ex-presidente Lula da Silva sugerem que a democracia brasileira ainda não virou a página de seu não tão distante passado autoritário. Estamos particularmente preocupados com a perseguição do ex-presidente Lula da Silva, a qual viola normas de tratados internacionais, como as estipuladas no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP), garantindo direitos básicos do devido processo legal de todos os indivíduos.
Como é sabido, as administrações de Lula da Silva (2003-2010) expandiram em muito os programas sociais que ajudaram a levantar milhões de pessoas da pobreza. Lula continua sendo uma das figuras políticas mais populares no Brasil hoje e, como tal, é visto por seus opositores políticos como uma séria ameaça nas urnas. Há meses ele tem sido objeto de uma campanha de difamação e de infundadas acusações de corrupção por grandes meios de comunicação privados, alinhados em grande parte com as elites do país.
Desde o início do ano passado, Lula tem sido alvo do juiz Sergio Moro, cujas ações tendenciosas e injustificadas comprometeram gravemente os direitos legais de Lula. Moro ordenou a condução coercitiva do ex-presidente simplesmente para servir uma intimação, embora não houvesse indicação de que o ex-presidente estivesse negando prestar depoimento.  Os meios de comunicação já estavam no local quando a prisão ocorreu, sugerindo que o objetivo principal da detenção era criar a percepção de que Lula estaria envolvido em atividades criminosas, apesar da falta de denuncias contra ele.
Moro também divulgou interceptações telefônicas aos meios de comunicação - incluindo interceptações ilegais e não autorizadas - que incluíam conversas entre Lula e seus advogados, sua família e a então presidenta Rousseff. A condução deste tipo de vazamentos deliberados e tendenciosos é uma violação da lei brasileira e de uma decisão recente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Escher vs. Brasil). 
Moro nem sequer fingiu imparcialidade, participando abertamente de eventos políticos que se opuseram a Lula e ao Partido dos Trabalhadores, aprovando um livro que declara Lula como culpado e, no final de setembro, endossando a acusação de que Lula liderava um grande esquema de corrupção, ainda que sem nenhuma evidência que sustentasse esta denúncia.
Mesmo após os testemunhos contra Lula, obtidos através de acordos de delação premiada, ainda não há provas críveis que envolvam Lula em atividades criminosas. Preocupa-nos que o verdadeiro objetivo do processo seja o de prejudicar gravemente a imagem de Lula e desativá-lo politicamente por quaisquer meios, como ocorreu com a ex-presidenta Dilma Rousseff. Esse seria um novo retrocesso para a democracia brasileira.
Os representantes legais de Lula interpuseram uma petição perante o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, descrevendo as violações ao seu direito ao devido processo legal  no âmbito do PIDCP (do qual o Brasil é signatário), incluindo o direito à presunção de inocência até que se prove a culpabilidade, o direito à proteção contra prisões arbitrárias, direito a um tribunal imparcial e o direito à proteção contra a interferência arbitrária na vida privada.
Estamos também profundamente preocupados com várias ações tomadas pelas autoridades do Estado brasileiro desde a remoção permanente da presidenta Rousseff do cargo no dia 31 de agosto de 2016.
Como discutimos em uma carta anterior, em julho de 2016, esse processo de impeachment - que foi marcado por irregularidades processuais e conduzido por políticos envolvidos em grandes escândalos de corrupção - constituiu em si uma grave ameaça às instituições democráticas do Brasil.
Em 21 de setembro, o sucessor de Rousseff - Michel Temer - declarou publicamente que Rousseff foi removida do cargo por sua oposição a um severo plano de austeridade que ele apoiou e que envolve cortes draconianos em serviços públicos fundamentais. Nas últimas semanas, o governo de Temer pressionou a implementação deste plano através da aprovação de uma emenda constitucional que vincula os atuais e futuros governos a drásticas limitações de gastos nos próximos vinte anos e suspende as exigências mínimas da Constituição para educação, saúde e assistência social. Essas medidas efetivamente reverterão anos de avanços sociais e econômicos que beneficiaram enormemente comunidades pobres, que são, por sua vez, compostas desproporcionalmente por afro-brasileiros.
Em 9 de dezembro, o Relator Especial das Nações Unidas para a Pobreza Extrema e os Direitos Humanos, Philip Alston, alertou que a emenda violará as obrigações do Brasil em matéria de direitos humanos. Alston chamou-a de "uma medida radical, carente nuance e compaixão", e disse que "atingirá os brasileiros mais pobres e vulneráveis, aumentará os níveis de desigualdade em uma sociedade já muito desigual e definitivamente sinaliza que os direitos sociais são uma prioridade muito baixa para o Brasil nos próximos vinte anos".
Essas e outras medidas governamentais - como a proibição do discurso político nas escolas públicas brasileiras - provocaram protestos generalizados em todo o país, inclusive em mais de 1000 escolas, e representam uma ameaça aos direitos humanos fundamentais de liberdade de expressão e associação.
Além disso, os movimentos sociais brasileiros foram submetidos a duras repressões e estão sendo criminalizados. Membros do internacionalmente renomado Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que defende a reforma agrária mandatada pela Constituição do Brasil, foram presos e acusados de integrar uma "organização criminosa", depois de participarem de ocupações pacíficas de terrenos improdutivos.
À medida que esta repressão se desenrola, o governo Temer continua a ser abalado por escândalos de corrupção que levaram à renúncia de quatro ministros nos últimos meses. Alegações de corrupção que implicam diretamente a Temer também levaram os membros da oposição do Congresso Brasileiro a apresentarem um processo de impeachment contra o chefe de Estado.
Esses e outros acontecimentos estão comprometendo seriamente as realizações sociais e democráticas que se fizeram no Brasil desde o fim da ditadura militar em 1985. Como um primeiro passo essencial para reverter esta situação, instamos as autoridades federais brasileiras a fazerem tudo ao seu alcance para proteger os direitos humanos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição, como o ex-presidente Lula da Silva.
Ao invés de exacerbar a polarização no Brasil perseguindo adversários políticos nos níveis de liderança nacional e de base e de impor medidas políticas extremas contra aqueles que foram historicamente excluídos pelas elites, aqueles preocupados com o restabelecimento de instituições democráticas estáveis e uma economia sustentável devem reconhecer a sua tênue detenção sobre os poderes Executivo e Legislativo e agir para desenvolver uma agenda de unidade nacional.
Atenciosamente,
Membros do Congresso: 
Rep. John Conyers
Rep. Raul Grijalva
Rep. Keith Ellison
Rep. Mark Pocan
Rep. Barbara Lee
Rep. Lucille Roybal-Allard
Rep. Steve Cohen
Rep. Eleanor Holmes Norton
Rep. Emanuel Cleaver
Rep. Zoe Lofgren
Rep. Frank Pallone, Jr.
Rep. Sheila Jackson Lee
 Edição: Vivian Fernandes
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O AVANÇO ANTICIVILIZATÓRIO

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores: , , , , ,



O recente livro de Yuval Harari (Homo Deus - Uma Breve História do Amanhã), mostra contundentemente como a internet, a automação e o desenvolvimento da inteligência artificial ameaçam a vida civilizada no planeta.
O autor afirma que a ameaça vem da plutocracia comunicacional instalada no facebook, no whatsapp e no Google, construindo uma cultura do não-saber e do embrutecimento emocional. Harari é um historiador que não examina a estrutura do processo histórico, portanto sua obra não é analítica.
Tal inversão na qual a comunicação dirigida e o direito apropriado pela cultura massificada do consumo caminha na contramão do processo civilizatório e é a negação do direito do homem. Cientistas notáveis como Stephen Hawking aplaudiram o bem documentado livro de Harari.
O professor Moniz Bandeira mostra na sua vasta produção como o mercado do capital comandado pelos E.U.A. dirige esse processo de barbarização planetária que tenta estender seus tentáculos mais firmemente na América Latina, principalmente na Argentina, Brasil e México.
O dispositivo dessa estúpida racionalidade tecnológica somente avança porque o sistema judiciário está a serviço da inversão de valores, criando a falsa impressão de um progresso cultural, quando na verdade estamos empobrecendo aceleradamente material e espiritualmente a humanidade.
No Brasil 46 ultra bilionários, 10.300 multimilionários e 220 mil milionários usufruem  de privilégios injustos e agora crescentemente com os novos dispositivos de ajustamento fiscal contra a grande maioria de trabalhadores, servidores assalariados que mergulham na pobreza.
O Direito não cria civilização e cultura, mas são estes dispositivos que dão origem à norma geral e a constituição, portanto, é a política que comanda a soberania e o poder estatal. A débil estrutura democrática se sustenta apenas quando política, polícia e lei não se confundem, mas cooperam.
O microcosmo cearense deu excelente exemplo dessa visão civilizatória que não adere à cultura do porrete, quando instalou uma unidade prisional exclusiva para a população LGBT, idosos e pessoas em cumprimento da Lei Maria da Penha, na gestão Hélio Leitão. Por este fato recebeu o justo prêmio da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (infelizmente sob o comando do energúmeno Temer, que entrará para a história como medíocre conspirador).
O Ceará dá o exemplo de caminho civilizatório, pois o combate à violência exige o ajustamento sistêmico de medidas coercitivas, judiciais e educacionais. Esse foi o projeto de Beltrame no Rio de Janeiro, que agora infelizmente está sendo desmantelado.
O Brasil faz parte do novo expansionismo do capital especulativo no mundo abençoado com a eleição de Trump que incrementará a pobreza e aumentará a fome, mas utiliza uma nova estratégia de guerra, quebrando economias nacionais, usando o sistema jurídico-político.

Essa é a fórmula anti-civilizatória operacionalizada pelo mercado capitalista que o falecido sábio Zygmunt Bauman criticou com dureza e brilho exemplar.
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Texto de Juíza que desnuda os mitos da 'meritocracia' viraliza nas redes sociais

AuthorAutor: Valton Miranda    CategoryMarcadores:

Juíza usa sua própria história para desmascarar as falácias da tão propalada meritocracia. Entre os pontos abordados, Fernanda Orsomarzo afirma que se esforçou para chegar ao cargo que tem hoje, mas jamais teria conseguido se não tivesse acesso a uma série de privilégios. Confira a íntegra do texto que viralizou

juíza meritocracia texto redes sociais
A meritocracia” é o processo de alavancamento profissional e social como consequência dos méritos individuais de cada pessoa, ou seja, dos seus esforços e dedicações.
Quem defende a teoria da meritocracia, acredita que qualquer pessoa possa chegar onde quiser apenas através do seu esforço.
De outro lado, muitas pessoas criticam essa ideia, principalmente em um país cuja sociedade é desigual, racista, machista, homofóbica.
A juíza de direito do Tribunal de Justiça do Paraná Fernanda Orsomarzo escreveu um post no seu Facebook contando sua história de muito esforço, porém também de muito privilégio, para afastar a ideia de meritocracia. O post já passa de 50 mil curtidas.
Fernanda se classifica como branca e parte de uma família classe média, o que a possibilitou de frequentar boas escolas, cursinhos e universidades. “Todos têm suas lutas e histórias de vida. Todos enfrentam dificuldades e desafios. Porém, enquanto para alguns esses entraves não passam de meras pedras no caminho, para outros a vida em si é uma pedra no caminho”, afirmou.
Confira a íntegra do texto:
Ralei duro para ser Juíza de Direito. Cheguei a estudar 12 horas por dia em busca da concretização do tão almejado sonho. Abdiquei de festas, passei feriados em frente aos livros, perdi momentos únicos em família. Sim, o esforço pessoal contou. Mas dizer que isso é mérito meu soa, no mínimo, hipócrita.
Em primeiro lugar, nasci branca. Faço parte de uma típica família de classe média. Estudei em escola particular, frequentei cursos de inglês e informática, tive acesso a filmes e livros. Contei com pais presentes e preocupados com a minha formação. Jamais me faltou café da manhã, almoço e jantar. Nunca me preocupei com merenda ou material escolar.
Todos têm suas lutas e histórias de vida. Todos enfrentam dificuldades e desafios. Porém, enquanto para alguns esses entraves não passam de meras pedras no caminho, para outros a vida em si é uma pedra no caminho. Meu esforço individual contou, mas eu nada seria sem as inúmeras oportunidades proporcionadas pelo fato de ter nascido – repito – branca e no seio de uma família de classe média minimamente estruturada.
O mérito não é meu. Na linha da corrida em busca do sucesso e realização, eu saí na frente desde que nasci. Não é justo, não é honesto exigir que um garoto que sequer tem professores pagos pelo Estado entre nessa competição em iguais condições. Nunca, jamais estivemos em iguais condições.
O discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou.
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Fidel Alejandro Castro Ruz

O nome do notável líder cubano está em toda a imprensa mundial falada, escrita e televisada, de direita, centro e esquerda, diante do inexorável fato da morte. Os homens que marcam a história na política, na literatura, ciência e arte, são de personalidade de difícil apreensão para o senso comum.
Os inimigos de Fidel por ignorância ou motivação política afirmam que era um ditador sanguinário e o fazem sem a menor compreensão dos fatos históricos e das contradições econômicas e de classes impostas pelo mercado do capital. Fidel lutou todas as guerras e todas as batalhas no campo internacional contra o poderoso inimigo norte-americano, venceu todas!
As tolices midiáticas costumam propalar que se tratava de uma luta da democracia contra o comunismo, implantando na sociocultura e nos indivíduos um falso conceito de democracia. Quando Angola lutava pela liberdade, Fidel executou a incrível proesa de colocar milhares de soldados cubanos em território africano, ajudando na luta de libertação daquele povo contra a Inglaterra e os EUA, que montaram uma logística contra-revolucionária. Ao lado de Che Guevara e Cienfuegos, desceu com seus guerrilheiros a Sierra Maestra para entrar triunfalmente em Havana, derrotando o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA.
O povo cubano sob sua liderança suportou mais de cinquenta anos de bloqueio econômico contra a Ilha e fez notáveis avanços na educação, na saúde e em diversas áreas da pesquisa científica. Venceu os mercenários pagos pelos norte-americanos na invasão da Baía dos Porcos em 1961 e ajudou Nelson Mandela a expulsar do poder a casta branca que dominava a África do Sul. Mandela o elogiava, dizendo se tratar do maior líder que a humanidade produzira em tempos modernos. É por isso que o pensamento socialista o reverencia como homem e como símbolo da luta contra as tiranias escancaradas ou escondidas, sob o manto da corrompida palavra democracia. Por isso Fidel é como José Martí e Bolívar, um libertador latino-americano.
A dialética que junta e separa cultura e civilização mostra sobejamente que na primeira o saber se torna corrompido e apropriado por poucos, enquanto o poder cai nas mãos de plutocracias, dividindo o mundo entre os que são cognitiva e moralmente superiores e o rebanho desorientado que deve ser dirigido conforme o jornalista Walter Lippmann, citado por Chomsky. É esse conceito de democracia e liberdade que Fidel repudiava, mostrando que as elites patrimonialistas não deveriam dominar a América Latina. 
O mundo da verdadeira democracia perde um campeão num momento difícil de ascensão dos ricos e da direita no planeta, o paradigma é Trump. Isso é o que parece ter acontecido na eleição norte-americana, pois além de culturalmente aquele país ser uma plutocracia, agora tem uma espécie de Pluto no poder.
O impressionante na personalidade de Fidel é que sofreu mais de seiscentos atentados e não se tornou um ser rancoroso e odiento como acontece no mundo e no Brasil com os odiadores na internet.

Hasta siempre Fidel!
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O ESPETACULOSO PRINCIPADO DE CURITIBA



Valton de Miranda Leitão

A sociedade do espetáculo foi teorizada por Guy Debord, mostrando de modo contundente como os meios de comunicação fabricam fetiches e notícias, deformam os fatos e trabalham seguindo o ditame do mercado capitalista. Hoje sabemos que o consumidor já foi preparado há muitos anos para absorver automaticamente a propaganda fetichista.
A impossibilidade da comunicação racional democrática que Debord já denunciava, agora está definitivamente superposta pela comunicação robótica em rede, tanto pelo direcionamento tirânico da empresa midiática ideologizada pelo mercado, quanto pelo domínio que o dinheiro e a imagem impõem à compreensão democrática da sociedade.
O Estado de Exceção produzido no Brasil com o rompimento da ordem democrática, no escandaloso impeachment da presidente Dilma Rousseff, teve entre outros operadores o próprio Poder Judiciário.
O golpe cuidadosamente planejado pelo patrimonialismo brasileiro mobilizou desde o moralismo protestante neopentecostal até o estabelecimento de um operador privilegiado sediado no que hoje parece ser o principado de Curitiba. Não há como duvidar que o juiz Sergio Moro foi treinado para cumprir essa missão, que segundo M.  Chauí, resultou de cuidadosa instrução feita nos aparelhos do FBI norte-americano.
Em artigo anterior afirmei que alguns traços do paranoico juiz Schreber podem ser encontrados no time curitibano, tais como, a convicção delirante ao lado da fantasia de purificação que são dirigidos quase exclusivamente para os “corruptos da esquerda”. Tal uso do direito já aconteceu nos julgamentos de Moscou sob Stalin e de Weimar precedendo Hitler, demonstração histórica do uso da lei contra a justiça.
Vista assim, a Lava Jato é uma farsa que deixaria os maiores dramaturgos do gênero, Nestroy e Ibsen empalidecidos. A cultura paranaense conservadora e reacionária agora tem seu ideal tipo, cumprindo a nefanda missão de ajudar o energúmeno Temer a vender o Brasil, tirar direitos trabalhistas, juntamente com o aniquilamento do pensamento universal crítico.
O Estado de Exceção é amplamente conceitualizado pelo gênio do pensamento jurídico nazista, Carl Schmitt, que recentemente estudei no livro “O Inimigo Necessário” com o subtítulo “a paranoia em Carl Schmitt”. O filosofo italiano Giorgio Agamben estuda amplamente o assunto em livros como “Homo Sacer” e “Estado de Exceção”
O arbítrio do golpe militar de 1964, do fuzil e do porrete, foi substituído pelo despotismo da toga que pratica uma modalidade de tortura com a inconstitucional prisão preventiva e a perversão chamada, delação premiada.
O juiz curitibano chegou ao ponto de afirmar recentemente em Porto Alegre que pratica a excepcionalidade para aprimorar a justiça!!! Tarso Genro, em recente artigo diz: “a “exceção” - na versão fascista da teoria do direito - se legitima a si mesma, como juízo do poder político, pois este é o “Magistrado da exceção”, como dizia Carl Schmitt”.
O juiz da exceção é legitimado por si mesmo, pois na fórmula hegeliana, atingiu o espírito absoluto, no qual é sujeito e objeto histórico.


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